Queira-se ou não, a Copa de 2014 continuará a ser assunto recorrente. Queira-se ou não, a África, que criou a logomarca da competição, é uma das mais brilhantes agências de comunicação do mercado. A tal marca, aliás, tem chamado a atenção da sociedade. Primeiro, porque é competente, depois, porque parece conter o dedo impositivo do cliente. A propósito, ecoando o que se diz na internet, indague-se: se as cores do Brasil são o verde, o amarelo, o azul e o branco, o que faz ali o vermelho? Será homenagem à Espanha, atual campeã, ou será demarcação da presença do PT? Relembre-se que a mensagem subliminar contém informações dificilmente percebidas e aparentemente desimportantes que são absorvidas e influenciam o inconsciente. O vermelho, como se sabe, é a cor do partido que está no poder, e que chegou a colocar seu símbolo nos jardins do palácio tão logo o atual presidente foi empossado pela primeira vez.
Depreende-se, pois, que, à luz do procedimento do presidente nos dias de hoje, em que zomba da legislação eleitoral, não custa, no rastro da prática da propaganda antecipada de 2010, antecipar 2014, ano da sua volta oficial ao poder. Ademais, é útil lembrar, o governo nunca reluta em aproveitar a verba de comunicação oficial para consolidar sua estratégia de poder. Quer uma evidência?
Você se lembra da campanha do Banco do Brasil cujo ponto focal era o número três? A mensagem evidente consistia em um apelo para o cidadão praticar, diariamente, três ações a favor do meio ambiente. Só que no vídeo, o número três era constantemente repetido, vinculado como certeza de segurança e a solução para todos os problemas. E aí?, você pode estar perguntando. Aí, naquele tempo da campanha, o país debatia um terceiro mandato para o atual presidente, e a mensagem do Banco do Brasil pregava, cheia de singeleza: “Em todo lugar que você vir esse número, vai saber que ali existe uma forma de você tomar uma decisão para cuidar do planeta, das pessoas e do país em que a gente vive: três”.
A campanha se tornou foco de críticas da imprensa e da própria população, levando o Banco do Brasil a retirá-la do ar, conquanto as explicações prometidas nunca tenham sido dadas. Ora, em uma frase digna do presidente Luiz Inácio da Silva e da candidata Dilma Rousseff, pergunta-se: o inexplicável é explicável?
*Jornalista e publicitário - aproposito@speedmais.com.br
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